quinta-feira, junho 13

Semana 1

Depois de três dia de internamento, já estamos em casa na maior alegria. Faz hoje uma semana e eu ainda não consigo explicar este sentimento.
Custou um bocadinho e foi uma canseira isto de experimentar dores novas todos os dias (mãe natureza, já fazias um upgrade no software!) A sério: pontos, subidas de leite, dores tortas, medo de ir à casa-de-banho... A compensação, pelo contrário é um céu azul cheio de sol e sem nuvens. É uma paixão descontrolada, adjectivo qualificativo ainda por inventar, uma adoração para lá de qualquer religião.

Eco das 40 semanas (Terça-feira): bebé com liquido amniótico, bebé respira, bebé está bem instalado, levou-nos a um agendamento de indução do parto para dia 9 (Domingo). 
Na terça-feira, com a esperança de já ficar na maternidade, passei o dia na praia a fazer caminhadas na areia. Depois da consulta pedi ao homem para vir comigo subir e descer monumentais em Coimbra. Queria conhecer  meu bebé antes de Domingo. Chegamos a casa, dormi e às 5h da manhã de quarta-feira comecei a sentir contrações. Comecei por achar que era só incomodo por me ter esforçado nesse dia, mas depois comecei a contar, 6 em 6min, passou para 5 em 5min. Tomei um banho, tomei o pequeno-almoço e arrancamos para Coimbra. Na urgência internaram-me, fui para o quarto, ligaram-me ao CTG, os médicos vieram ver-me, as águas não rebentaram. Vieram trazer-me o almoço, comi a sopa as dores começaram mais fortes. Não aguentava estar deitada na cama, fui para a corredor com o homem caminhar, contrações de 2 em 2min. Sou vista pela médica, ela diz que dentro de 1h eu entro na sala de partos, eu já me agarrava a paredes e a portas. Sou vista novamente pela médica, ela diz que eu tenho de ir para a sala de partos porque já estava com 3 dedos de dilatação para levar a epidural. Pergunta-me se quero ir de cadeira de rodas ou a pé, eu vou a pé. Eram 18h e eu já andava aos ais. Páro 46 vezes por causa das contrações. Entro na sala de partos, preparam-me, dizem-me como tenho de fazer para levar a epidural, ensinam-me a respirar, dizem que não me posso mexer, a anestesista dá-me a epidural, alivia as contrações. Até as 21h não tinha havido grandes alterações, dão-me ocitocina, começam as contrações fortes (ainda mais!!) a epidural não está a fazer o efeito desejado! Volta a anestesista, nova dose. Já não aguentava aquelas posições (que tem de ser para a epidural fazer efeito) já não me conseguia virar sozinha e tudo a acontecer em full speed.
O homem e a madrinha dele (que é médica no hospital de Coimbra e deu um jeitaço do caraças) foram jantar. Eu fiquei ali, cheia de sede e com vontade de comer um hamburger do H3.
Chegaram, 23h, a médica veio ver-me! Disse que estava muito atrasado, só lá para as 4h da manhã. Aconselhou-nos a descançar... O homem adormeceu no sofá e eu também. 1h da manhã, entra a médica para novo toque, eu peço descilpa por ter adormecido, ela disse que eu fiz bem. Toca-me e não acredita, sente a cabeça do bebé. A enfermeira chama a equipa, entram em fracção de segundos tipo exército da tropa. O homem acorda e pensa que está a sonhar. Preparam-se, dizem-me como tenho de agarrar as pernas e fazer força, mas a segunda dose de epidural fez tão bem o efeito que eu não sentia a perna direita. Arranjaram alternativa. Pediram-me para respirar e no momento da contração fazer força. 2vezes, 3vezes, 4vezes e nada. Não conseguia expulsar o Guilherme. A médica disse-me que eu precisava de uma ajudinha e vai buscar a ventosa. Se já não tinha ar no diafragma, pior foi quando ela pôs o joelho em cima da minha barriga e carregou, pensei que ia ter uma apneia. Não consegui respirar. Não sei se foi do acelaramento em que se deu todo o processo ou se é mesmo sempre assim, mas aqui eu sofri. Última tentativa - ninguém naquela sala estava com pena minha e bem-vinda ao céu! 1:27h UAU, que maravilha.
A partir daqui foi de sonho: uma equipa exclente, ficaram à conversa enquanto tratavam do Guilherme, enquanto eu fazia a força que podia, não faço ideia onde, para a placenta sair. 
Enquanto esperamos que o Guilherme fosse limpo eu e o pai trocamos sorrisos cúmplices e algumas lágrimas. Não senti um único ponto ser dado e tive a melhor noite da minha vida. A transbordar de felicidade. O bebé é saudável, nasceu com 3780kg e 50.5cm. E tem sido o melhor da minha vida.
 



4 comentários:

Jardim de Algodão Doce disse...

Muitos parabéns e votos de felicidades para o Guilherme e para a família. No meu primeiro parto também fui logo para o hospital, quando as contracções começaram de 3 em 3 minutos...Do segundo comecei com contracções ritmadas às 14h e só fui para o hospital à meia noite quando já as dores eram muito fortes e insuportáveis. Cheguei lá e fiquei feliz com os 5/6 cms de dilatação que já tinha. Três horas depois o meu Gui. nasceu, sem qualquer efeito de epidural. Sou resistente a ela! :) O importante é que corra tudo bem. Tudo de bom para esta nova etapa da tua vida!

Guilhim disse...

Muitos parabéns! Que o Guilherme seja muito bem-vindo e tenha uma vida fantástica!

Já agora... a minha história é bem parecida à tua...

Beijinhos grandes!

Mar disse...

Bem ao ler-te quase fico eu sem ar e não estava lá, foste uma corajosa como todas as Mães, muitos parabéns e Felicidades aos três, muita saúde e tudo de bom do fundo do coração, muitas Felicidades ♥
Beijinhos nos vossos ♥ ♥ ♥

Le Cirque des Rêves disse...

Não consegui resistir a ler este post mais do que uma vez.

Fiquei como que,viciada. E não faço a mais pequena ideia do que sentiste,apenas me resta imaginar como sera essa felicidade intrinseca.

Desejo-te,a ti, e aos teus muitas felicidades. beijinhos